Os Exilados da Literatura
Manifesto dos Exilados da Literatura I. O Exílio Nós, que aprendemos a ler antes de a leitura virar vitrine, fomos expulsos do território que ajudamos a construir. Hoje a literatura que habitamos se tornou espetáculo: os livros não são abertos, mas exibidos; não são lidos, mas consumidos como qualquer outro produto de desejo instantâneo. Estamos no paradoxo: éramos estranhos quando quase ninguém lia, e continuamos estranhos agora que muitos leem, mas pouco habitam o verbo. Não fomos expulsos pela censura, mas pelo barulho. Não nos retiraram os livros das mãos, mas os transformaram em ornamento. E, de repente, o território da leitura — esse lugar íntimo, secreto, quase sagrado — se tornou praça pública, atravessada por vitrines, marketing e aplausos fáceis. Nós, que passamos madrugadas com Tolkien, que seguimos Borges pelos labirintos infinitos, que nos perdemos nas sombras de Dostoiévski, descobrimos que não pertencemos mais à terra que ajudamos a cultivar. Eis o paradoxo de nossa gera...