O Menino que Desinventou o Prumo
O Menino que Desinventou o Prumo Era uma vez um gigante de papel que vivia tentando segurar as nuvens com as mãos. Ele achava que, se as nuvens escapassem, o céu cairia e o chão desapareceria. Ele chamava isso de Dever e de Propósito. Ele passava os dias suando, com os braços esticados, morrendo de medo de ser irrelevante para a meteorologia do cosmos. Um dia, uma criança que passava por ali, com os joelhos ralados e os bolsos cheios de pedras sem valor, olhou para cima e perguntou: — Por que você não solta? O gigante, com a voz grave de quem leu muitos livros, respondeu: — Se eu soltar, o universo perde o sentido. Eu sou o guarda da ordem. Se eu falhar, serei apenas um punhado de celulose ao vento. A criança riu. Não uma risada de deboche, mas aquela risada de quem acabou de descobrir que o mar é feito de água e não de tinta azul. — Mas moço — disse ela, apontando para uma formiga que carregava um farelo — o universo não tem ouvidos. Ele é um brinqu...